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JACOBO CASTELLANO
1976, Jaén. Spain


ÀS APALPADELAS

“Não se encontra ali toda a vida em miniatura, e muito mais colorida, limpa e reluzente do que a vida real ?
Ali temos jardins, teatros, formosos vestidos, olhos puros como o diamante, faces ruborizadas pela pintura, encantadores, carruagens, aparelhagens, cocheiros, bêbados, charlatães, banqueiros, comediantes, polichinelas que parecem fogos de artifício, cozinhas e exércitos inteiros, bem disciplinados, com cavalaria e artilharia”. (Baudelaire, La moral del juguete)

Há alguns anos tive a possibilidade de ver os corpos resgatados da lava na antiga cidade de Pompeia. Entre eles houve um que me chamou poderosamente a atenção, um pequeno cão em escorso a que parecia haver-se partido todos e cada um dos ossos ao ser arrastado e sepultado por aquele rio de lava. Este e os restantes corpos estiveram durante séculos sepultados, condenados a descansar num espaço claustrofóbico gerado pela decomposição dos seus próprios corpos. Pensei naqueles espaços como lugares idílicos, a ideia de regresso ao ventre materno. Um lugar sem ruído, de temperatura ideal. Um paraíso.

A série fotográfica que apresento pressupõe um passeio por uma passagem sem portas nem janelas, com vistas para nenhum sítio. Neste caminhar encontramos objectos que lembram festividades passadas ou vestígios de jogos esquecidos, talvez restos de um estado de felicidade esquecida. Uma viagem cheia de surpresas mais ou menos gratas.

O trabalho escultórico aborda a mesma temática mas neste caso duas grandes esculturas representam dois ringues de boxe demarcados por cordas. Dentro dos mesmos o espaço é menos claustrofóbico do que na série fotográfica mas igualmente carregado de uma violência contida. Não faltam referências a uma lareira, representada por uma precária cobertura de alcatrão que longe de nos proteger parece estar a ponto do desmoronamento. Dentro destes espaços vamos encontrar microfones que já não funcionam, parece que nos vai ser impossível pedir ajuda. Completam o grupo de esculturas, uma mesa e um altar transformados em armadilhas. A destacar também duas barras de ferro construídas com as diferentes partes do que foi uma grade às quais foram encostados uma espécie de micros obsoletos.

O grupo de desenhos de pequeno formato apresenta uma série de imagens da memória como nos antigos cartazes do cinema mudo. Fotogramas negros em que não vemos nem podemos ler nada. Esses fotogramas sem imagens converteram-se numa espécie de caixas negras nas quais podemos guardar os gritos de socorro, aquele grito que o cão de Pompeia não teve tempo de lançar.

Jacobo Castellano
Setembro 2008

 

 
 
 
 
 
 

 

 
 
 
altar 1
altar
dos puertas
doble ring
sin titulo

 
 
 
 
 

 

 
bodegón
cuclillas
sin titulo
sin premio

   
 
   
   
   
 
 

 

   
sin puerta
 
trampa
 
00
 
01
 
02

   
 
   
   
   
 
 

 

   
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05
 
06
   
díptico 1

 
 
 
 

 

 
díptico 2