|
À espera do sopro de Deus
Há séculos, ou milénios, que as grandes talhas se tornaram habitantes
reais das velhas casas. Recolhiam o pão, o vinho e o azeite. Vazias
esperavam. Cheias ofereciam. E desde sempre, o nível do seu conteúdo
era proporcional à satisfação e à ansiedade humana. A antropomorfização
a que o escultor Manuel Rosa as submete recupera, antes de mais, o espírito,
o ensinamento e a gramática dos lares subvertendo, a partir desta apropriação,
os seus conteúdos primordiais.
Hermínio
Monteiro
|