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PAULO BRIGHENTI
1968, Lisboa, Portugal. Lives and works in Lisbon



Contra a recente «imagização» da pintura, os trabalhos aqui apresentados são o resultado da sua condição reflexa, na qual se evidencia uma fidelidade à representação do objecto. A partir da figuralidade do mundo, e dentro de um pensamento plástico radicado na tradição artística, estas pinturas tomam o objecto como ponto de partida para, através da sua duplicação, dele se descolarem, dissimulando-o numa sucessão de camadas de tinta que «modelam» o espaço. A mancha «espacializa» a luz, ou o que dela resta, por intermédio de um dispositivo especular que acaba por «cortá-la» verticalmente, disseminando os seus reflexos por toda a superfície pictórica.

Contrariamente a esta acção de «trazer para fora» a cor, segundo uma metodologia compositiva convertida em obsessivo processo de «sobreposição», o desenho demonstra um esforço permanente de rasura, resultante da acção contrária de o «empurrar» contra o suporte de papel. No movimento de trazer a cor à superfície da pintura, o objecto-espelho, na sua circular configuração, parece constituir uma alegoria do mundo, neste regresso à própria condição ontológica da pintura.

                                                                                                                                                                            JFP


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